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Em carta a presidentes de federações, Caboclo diz que oposição quer tirá-lo do cargo para negociar contratos de R$ 16 bi

No documento, ele também joga dúvidas sobre integrantes da Comissão de Ética, que têm ligações com Marco Polo Del Nero

Wálter Nunes

Rogério Caboclo

28 de setembro de 2021 - 21:20

Em uma carta enviada a presidentes de federações estaduais nesta 3ª feira (28/9), o presidente da CBF, Rogério Caboclo, diz estar sendo vítima de um golpe motivado pelos interesses em contratos que podem alcançar R$ 16 bilhões que vencem durante seu mandato. Ele se refere a negociações de direitos de transmissão, publicidade e patrocínios.

Clique aqui para acessar a íntegra da carta de Caboclo aos presidentes de federações estaduais.

Caboclo será julgado pelos 27 presidentes de federações estaduais nesta quarta-feira (29) em caso em que é acusado de assédio por uma funcionária da CBF, o que ele nega. A Comissão de Ética da entidade sugeriu seu afastamento por 21 meses, mas a pena só entra em vigor se for aprovada por ¾ dos votantes da Assembleia Geral, composta pelos 27 presidentes de federações. São necessários, portanto, 21 votos para afastá-lo.

Na carta, o presidente da CBF enumera feitos de sua gestão, nega o assédio e coloca Marco Polo Del Nero como o artífice de um golpe contra ele. Para sustentar este argumento, ele diz que Del Nero, afastado do futebol por corrupção, foi o portador de um manuscrito entregue a Caboclo uma proposta de R$ 12,4 milhões em troca do silêncio da funcionária.

Após o presidente da CBF negar o acordo, horas depois a funcionária fez a denúncia contra ele na Comissão de Ética da entidade, no dia 4 de junho.

A motivação para o que Caboclo classifica como golpe contra ele seriam as negociações de contratos bilionários.

“Creio que o motivo da tentativa de golpe de Del Nero resida mais nos contratos que vem pela frente e cuja renovação se aproxima. São contratos de direitos de transmissão, placas de publicidade, title sponsor e todos os direitos comerciais, sem falar dos patrocínios da seleção”, diz a carta.

“Não é segredo para ninguém o meu projeto de fazer uma negociação conjunta não só dos clubes, mas de todas as competições promovidas pela CBF ou que participem as seleções brasileiras. Isso implica dizer que de uma única vez, em concorrência pública, aberta e auditada, pretendo fazer a maior venda de direitos da história do futebol no Brasil. Certamente, uma das maiores do mundo. São 21 competições nacionais promovidas pela entidade, além dos jogos das eliminatórias e amistosos das seleções masculinas e femininas e também do futsal e beach soccer, que acabei de retomar. É um total de mais de 27 produtos e que podem representar mais de R$ 16 bilhões num período de 4 anos, com a antecipação e a negociação coletiva dos direitos da Série A do Campeonato Brasileiro. Alguns desses contratos mexem profundamente com os interesses dos antigos gestores da entidade, que agem com truculência para poder mantê-los ativos. Entre os mais de 25 contratos estão os nebulosos contratos relativos aos amistosos da seleção brasileira e a cessão dos direitos da Copa do Brasil. É muito dinheiro e são muitos interesses aí envolvidos. Meu sonho é ter futebol na TV de segunda a domingo, de manhã até à noite, com competições que vão desde o sub-15 feminino até o futebol de másters”, diz Caboclo aos presidentes de federações.

Ele também joga dúvidas sobre integrantes da Comissão de Ética, que têm ligações com Marco Polo Del Nero.

“Marco Polo, banido quase definitivamente do futebol pela FIFA, em razão de práticas de suborno e corrupção, passou a dar sucessivas mostras do poder e controle que exerce sobre a Comissão de Ética, órgão constituído por ele próprio e composto exclusivamente por pessoas a ele relacionadas. Como é notório, importante lembrar que os membros da comissão são indicados pelo presidente da CBF, demissíveis pela diretoria e tem altas remunerações”

Caboclo aponta contradições do presidente da Comissão, Carlos Renato de Azevedo Ferreira.

“O presidente da comissão é o desembargador aposentado Carlos Renato de Azevedo Ferreira, amigo íntimo de Del Nero, com quem mantém amizade de décadas. O presidente sustentou oralmente em seu primeiro voto que não poderia ir a jogos ou viajar com vocês presidentes para não ficar “contaminado” pela convivência num caso em que tenha que julgá-los, sinal que pretende fazê-lo e é incapaz de dividir uma coisa com outra. Disse que não aceita benefícios. Porém, na prática é tudo diferente. Pede ingressos para jogos, recebe mala de materiais esportivos e presenteia a filha e o chefe dela com camisas personalizadas em visita à CBF”, diz Caboclo na carta.

O presidente da CBF também sugere que contrariou Ferreira, que ofereceu à CBF uma consultoria em área educacional. Quatro meses após a negociação não prosperar, Ferreira condenou Caboclo na Comissão de Ética.

“Provavelmente o grande “mal” que fiz a ele foi recusar uma proposta profissional datada de 05.02.21, para criar a Faculdade do Futebol da CBF. Solicitei que ele falasse diretamente com o ex-diretor de RH e da CBF Academy. Carlos Renato concordou, mas as coisas não caminharam para uma contratação dos serviços de assessoria. Adivinhem quem me trouxe a proposta recebida em seguida por WhatsApp de Carlos Renato pela primeira vez? Sim, ele, Marco Polo Del Nero outra vez. Seria esta a razão de tantas e tamanhas ilegalidades e arbitrariedades contra mim? Não posso afirmar. Mas posso dizer que os assuntos não se confundem e sua atitude nos processos é inaceitável”, relata o presidente da CBF.

“Simplesmente entendo que não existe a necessidade da contratação de consultoria por elevada monta para o exercício de atividades meramente burocráticas perante entes públicos como MEC, INEP e CNE. A questão é mais do que conceitual, envolve a violação estatutária e de ética a eventual contratação do presidente da comissão de ética para este mister. Certamente ele, bem ele, não levou isso em consideração.”

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